Revista | Vol 6, N. 1, Junho 2015

Fatores de risco desenvolvimental na adolescência: da métrica à clínica

A adolescência é um tempo de transição (Blos, 1985, 1995; Matos, 2005; Pinto, 2004, 2006, 2010, 2013) entre a infância e a idade adulta e é, por isso, um processo moroso e, por vezes penoso, de afirmação e confirmação pessoal e social. 

Este processo envolve família, adolescente e grupos de pares e convoca-os a uma relação frutuosa, sob pena de se instalarem viés desenvolvimentais que espreitam uma oportunidade de expressão. Sabemos que os adolescentes apresentam como tendência manifestações de Aventura e Risco e de Rejeição de Regras, estas últimas parecem mesmo ser incontornáveis, pois a aceitação de regras na adolescência é uma miragem difusa incapaz de consistência estatística (Pinto, 2006). 

Esta aventura desenvolvimental inicia-se com a puberdade e as suas profundas alterações físicas, introduzindo, também, uma nova dinâmica funcional que coloca em questão o adolescente e o seu auto-conhecimento. As transformações corporais são tomadas como um percursor das mudanças que acontecem na adolescência (Gutton, 1997; Avanzini, 1978), o corpo mutante obriga o adolescente a questionar as suas relações significativas, agora vistas e entendidas sob um novo prisma, mas também o seu mundo fantasmático, as suas representações e idealizações, num contexto relacional (familiar e grupal) onde o jovem ensaia formas para dar sentido às suas pulsões e desejos emergentes, uma vez que família e grupo têm como função conter os seus movimentos mais dispersivos. Assim, o questionar-se a respeito do seu próprio corpo, dos novos contornos, do que ele comunica, voluntária ou involuntariamente, através da emergência pulsional sem objecto definido (Blos, 1985), pode fazê-lo sentir-se diferente e/ou nostálgico dum corpo infantil cujos limites eram tão familiares e pacíficos. 

A mudança corporal retém o adolescente entre o corpo perdido da infância, já inexistente na realidade, e o corpo novo, grande, disforme e despropositado, aos seus próprios olhos, que o obriga a um trabalho moroso, e por vezes penoso, de elaboração e de integração de uma nova imagem corporal com a qual se identifique e que o corporifiqueI, isto é, o faça sentir-se íntegro e uno. Reactiva-se a problemática narcísica que apela ao reencontro dos limites do Eu (corporal e representacional) e põe-se em marcha um tempo de remanejamentos do indivíduo e dos seus familiares (Cabié, 1999; Braconnier & Marcelli, 2000; Eiguer, 2001; Marty, 2002) que permitirão todo o trabalho de desobjectualização das figuras parentais e transferência dessa pulsão para um contexto social que abra o jovem à criatividade e à descoberta do íntimo. A adolescência tem o seu ponto de partida no interior do sujeito, mas realiza-se numa dinâmica relacional com as figuras significativas (Pinto, 2003), uma vez que «o adolescente transforma estes laços de vinculação na presença dos seus objectos investidos, desinvestidos e reinvestidos diferentemente e com o seu suporte» (Hanus, 1995, p. 97). 

Importa, por isso, perceber como se processa e elabora a aventura adolescente, partindo dos aspectos relativos à integridade pessoal e à diluição dos limites do corpo. 


Narcisismo e desenvolvimento adolescente

O narcisismo é um conceito que apresenta uma grande polissemia de sentidos. Destacamos a sua faceta constitutiva do sujeito e consideramo-lo como uma entidade limite ou de fronteira que nem é estádio, nem estado, mas organização estruturante (Golse, 2001); que nem só é narcisismo de vida, nem só narcisismo de morte (Green, 1983); que não é só completamente interno, nem só completamente externo (Freud, 1914/1989), realçando-se, sobretudo, o seu carácter relacional (narcisismo expansivo ou trófico) ou defensivo (narcisismo retraído ou destrutivo) (Rosolato, 1978, citado por Golse, 2001). O narcisismo apresenta-se como uma entidade de fronteira, lábil, esquivo e mutante na sua presença, ora interna e subjectiva, ora reactiva, ora afirmativa, mas sempre constante na edificação do sujeito ou, reversamente, nos movimentos destrutivos, mesmo quando estes encerram um desejo de preservação e afirmação narcísica dos limites do Eu e escondem as fragilidades narcísicas do sujeito. 

Sabemos que a emergência sexual acontece a par com a problemática limite (Ladame, 1998; Golse, 2001) relativa aos contornos corporais em mudança que devolvem o adolescente aos seus fundamentos narcísicos, à sua história de vida e que o expõem a lacunas prévias e a situações menos bem integradas «resultantes de descarrilamentos da sincronização» (Grotstein, 1999, p. 122) com a figura materna e com as subsequentes figuras significativas de vinculação (Ainsworth, 1998). A eclosão sexual na puberdade inscreve-se numa história co-extensiva à vida psíquica. No curso desta história, o sexual não cessou de ter de se conformar, por recalcamentos, sublimações, formações de compromisso, às formas culturais introjetadas (Laufer & Laufer, 1989). 

A puberdade, porém, capacita sexualmente o jovem e obriga-o a reorganizar todo o seu espectro relacional, pois o fantasma incestuoso está presente e é possível, sendo por isso verdadeiramente intolerável. A masturbação ou os fantasmas masturbatórios também podem aparecer a seus olhos como uma falha do recalcamento ou como um meio perverso de satisfação. Este questionar pessoal decorre das dúvidas que assolam o adolescente acerca de si e o remetem a um retraimento (Laufer & Laufer, 1989; Eiguer, 2001) que, se não for passageiro, pode cristalizá-lo em comportamentos disfuncionais que o empobrecem e/ou podem lançar numa contestação agida e compulsiva. 

A puberdade, ao diluir os contornos corporais e os limites suficientemente estáveis da latência, expõe o jovem ao seu corpo estranho, provocando, de forma mais ou menos contida, distúrbios identitáriosII (Ladame, 1998) revelados no aborrecimento, no sentimento de contrariedade, de vazio, nas crises de cólera desapropriadas, na instabilidade emocional e nas condutas suicidárias, ou tão só numa diluição dos limites (corporais e representacionais) que instalam uma problemática narcísica da construção do eu/não eu e reactivam processos relacionais básicos relativos aos mecanismos identificatórios e aos padrões de relação que poderão dar sentido às pulsões e aos afectos colocados em marcha na adolescência. Estes sentimentos e/ou comportamentos têm um efeito duplo, pois revelam o mal-estar do jovem e, por outro lado, quando não suportados e transformados pelos seus significativos, acentuam, confirmam e amplificam o desencontro relacional. Um dos efeitos visíveis é a constituição duma área conflitual, um desencontro que, no limite, pode aprisionar o adolescente, quer num retraimento excessivo quer num acting-out desmedidamente contestatário, saídas que colocam em risco o seu desenvolvimento harmonioso. A adolescência dá palco e oportunidade a esta reorganização egóica. Mais uma vez, o adolescente precisa, para ter êxito na reconstrução dos seus limites corporais e egóicos diluídos, duma área de encontro com os seus familiares que o suportem e confirmem nas suas conquistas e na criação de significantes acerca de si, dos seus e do mundo: «é descobrindo um significante que o represente para o outro significante que o sujeito se inscreve no laço social, um significante metafórico do significante que o representa na sua família e por isso um significante diferente» (Lesourd, 2001, p. 13). O adolescente tem como tarefa inscrever-se num discurso social para além do usado na sua família e anseia por um discurso confirmatório de si mesmo. Este «trabalho de metaforização» (idem, 2001, p. 13) implica o adolescente e a sua família e apela à ternura – uma das vertentes do amor adulto, no dizer de Freud, (1905/1989), a par da sensualidade – ao suporte e à confirmação. Nos casos de perturbações borderline, as mães dos adolescentes apresentam sempre duas características que as diferenciam das restantes mãesIII: são presentes e ausentes alternadamente e, por isso, imprevisíveis. Manifestam ou uma implicação excessiva ou um desligamento relativamente aos seus adolescentes, revelando uma visão egocêntrica dos seus filhos que deveriam satisfazer-lhes as suas necessidades (Ladame, 1998). Este choque de egocentrismos por realizar revela a essência do narcisismo. No entender de Green, «o narcisismo é a supressão do traço do outro no desejo do um» (Green, 1983, p. 127), o que impossibilita o enlace criativo feito na alteridade e no respeito dos ritmos e dos limites individuais de cada participante. 

Berziganian et al. (citado por Ladame, 1998, p. 153) concluíram ainda, a partir de um estudo com 776 adolescentes revistos após dois anos e meio, que estes dois factores de risco isolados – imprevisibilidade e visão egocêntrica – não permitem predizer a sobrevinda do problema e revelam tão só a integração de um Eu maternal patogénico. Mesmo nestas situações o adolescente parece conseguir superar as suas dificuldades quando não acontecem outros factores patogénicos e revela que, desde que haja uma escapatória, a reinvenção é possível (Marty, 2002). É, pois, importante não fazermos uma leitura linear dos possíveis fatores de risco, ainda que os mesmos, assim como as suas implicações, não devam ser descurados. O efeito patogénico da sua existência plural é um aspecto igualmente a reter. Também as competências e os recursos do adolescente são factores importantes no desenho desenvolvimental de que falamos e o estudo destes autores revela-nos isso mesmo. 

A adolescência, em nosso entender, tem como base a emergência das forças pulsionais decorrentes das transformações pubertárias mas só se completa e se assume plena de sentidos como processo inter-relacional (Kestemberg, 1999) e comunicacional (intra e inter-individual). Só a abertura ao meio exterior e um crescente investimento criativo podem evitar que o adolescente que retido num funcionamento reactivo de predominância narcísica. Importa, então, perspectivar o desenvolvimento adolescente ao longo do período de transição. 

 

As transições dos adolescentes

Embora a adolescência possa ser pontuada por diferentes estádios, «a duração de qualquer [uma] das fases não pode ser fixada por nenhum esquema temporal ou referência etária» (Blos, 1985, p. 55), sendo, antes, regulado por um trabalho interno de elaboração das separações, dos lutos, das dispersões e das integrações mentais (Sp<‐>D de Bion, 1966b; 1991b), assim como pelas defesas utilizadas face às ameaças à integridade e ao modo como o jovem pode lidar com todas estas situações mais ou menos angustiantes. Meltzer (1979, p. 73) defende mesmo que o termo “adolescente” deveria significar um estado global da personalidade e adianta dizendo que «não [a] deveríamos limitar a um vértice cronológico, mas, ao contrário, deveríamos considerar que a adolescência, como qualquer outra organização do desenvolvimento, persistirá até ser abandonada por causa do progresso ou da regressão», dando-lhe um cunho dinâmico e pessoal. O contorno das dificuldades e/ou a sua negação (sinalizadas quer pela predominância de aspectos sintomáticos quer por acting-outs quer por uma depressividade manifesta) prejudicam o processo de integração psicossocial porque impedem uma vivência real das dificuldades elaborativas desta fase e deixam, cada uma de seu modo, «uma marca no adulto que pode ser melhor descrita como primitivação» (Blos, 1985, p. 55). O resultado desta dificuldade é a manutenção de áreas imaturas que impedem o sujeito de se aventurar activamente no mundo adulto. 

Cordeiro (1988, p. 19 e p. 24), assumindo uma perspectiva dinâmica, considera a existência de dois organizadores psíquicos adolescentes que cooperam no ajustamento psico-afectivo dos jovens: 

     1.O primeiro organizador, adquirido quando os jovens abandonam definitiva e irreversivelmente o amor primitivo, através do luto pelas figuras parentaisIV, permite‐lhes «a orientação para novos objectos de relação» e lança-os num período de ensaio de relações de intimidade, fora do contexto familiar;

     2.O segundo organizador «consiste na existência de um estado amoroso, em que o adolescente é capaz de entabular relações sexuais estáveis. (...) Esta situação significa o fim da adolescência e marca o início da idade adulta».

Tendo por base a reorganização psicossexual e relacional da infância, Blos (1985, 1996) e, posteriormente, Braconnier & Marcelli (2000) estabelecem cinco etapas sequenciais distintas na adolescência: 

1. Pré-adolescência (Blos) ou a instalação da adolescência (Braconnier & Marcelli): este período é caracterizado, nos rapazes, por um acréscimo intenso da pressão instintual (libidinal e agressiva) na qual se não vislumbra «nem um novo objecto de amor, nem um novo alvo instintual (...). Qualquer experiência pode tornar-se sexualmente estimulante, mesmo os pensamentos, fantasias e actividades destituídos de qualquer conotação erótica óbvia» (Blos, 1985 p. 60). Isto leva o adolescente a um paradoxo que «consiste num fechar-se sobre si próprio, procurando a solidão, e, ao mesmo tempo, fazer intensos movimentos afectivos relativamente aos outros e em relação aos pais. Este jogo é pleno de contradições» (Braconnier & Marcelli, 2000, p. 52). A adolescente, por seu lado, resolve, nesta fase, «(...) afixação à mãe fálica, activa e pré-edipiana» (Dias & Vicente, 1984, p. 38). 

A emergência pulsional sobre o Eu (Freud, 1987; Cordeiro, 1988; Laufer & Laufer, 1989) pode provocar «mudanças de quantidade e qualidade dos impulsos e o incremento nas numerosas tendências pré-genitais primitivas (especialmente orais e anais) [que] causam uma grave perda de adaptação social» (Freud 1987, p. 146) ou pode provocar uma retirada da relação como modo de defesa. Esta tendência pré-genital acontece ainda quando os adolescentes se juntam e falam acerca de assuntos sexuais, com tanta intensidade como atabalhoamento, fazendo girar as suas conversas entre temas neutros e temas sexuais relativos ao «“objecto-alimento” (é um borracho; é um pão; é boa/bom como o milho; etc.) ou [a] conteúdos verbais de teor anal ligados a aspectos incomodativos e dos quais o sujeito queira magicamente desligar-se» (Pinto, 2004, p. 35). O desejo e o medo apresentam-nos adolescentes capazes no plano sexual instrumental (Cordeiro, 1988), mas necessitados duma competência relacional e íntima que precisa ainda de um tempo de elaboração e de ensaio capaz de tornar possível uma área simbólica de enlace e intimidade, sem temores de perda da sua integridade. Talvez por isso, os púberes escolhem, preferencialmente, pessoas do mesmo género sexual e só depois se permitem envolver-se em relações heterossexuais (Meltzer, 1979). No mesmo sentido vão os contributos de Blos (1985, 1996) e Marcelli (1999) quando afirmam que os rapazes se aproximam da figura paternal como defesa contra o temor de castração. 

Por seu lado, as raparigas fazem um movimento diferente porque, ao defenderem-se do temor regressivo face à mãe, estabelecem relações heterossexuais e grupais logo nesta fase desenvolvimental, dirigindo-se «mais prontamente em direcção ao outro sexo» (Blos, 1996, p. 75). Revelam, também, no entender deste autor, menos movimentos regressivos que os rapazes, o que torna o processo adolescente feminino mais complexo do que o masculino. 

2. Adolescência inicial (Blos) ou primeira adolescência propriamente dita (Braconnier & Marcelli): estes adolescentes fazem uma imersão nos seus grupos e constroem «amizades íntimas e idealizadas com membros do mesmo sexo; torna-se evidente uma baixa persistência em interesses e criatividade, surgindo ao mesmo tempo uma busca desajeitada de valores novos – não simplesmente por oposição» 

(Blos, 1985, p. 74; Cotterell, 1996). Torna-se visível uma relação preferencial com um(a) amigo(a) idealizado(a) que pode pré-existir da fase anterior «mas [que] ocupa doravante um lugar ainda mais importante, vindo eventualmente fazer concorrência aos pais» (Braconnier & Marcelli, 2000, p. 52). Em grupo, os adolescentes ensaiam competências pessoais e apuram a sua escolha narcisista de objecto, nomeadamente de carácter erótico, que os pode levar a praticarem «masturbação mútua, práticas homossexuais transitórias, gratificações escopofílicas mutuamente permitidas, transgressões ou crimes compartilhados, idealizações, sentimentos de êxtase e elação na presença de amigo» (Blos, 1996, p. 93) para, de seguida, se verificar um afastamento destes. Deste ensaio relacional emerge um ideal do ego adaptativo que proporcionará ao jovem construir um projecto, ainda que por tentativas e ensaios, e atenuar o domínio de um superego arcaico. A não resolução das imagos parentais omnipotentes e castradoras pode enredar o adolescente num impasse desenvolvimental. Dias & Vicente (1984) defendem que nesta fase, por eles chamada adolescência precoce, se dá o ocaso das tendências bissexuais e que os instintos parciais (oral, anal e fálico tão presentes na fase anterior) se fundem num primado genital. 

3. Adolescência propriamente dita (Blos) ou adolescência estabelecida (Braconnier & Marcelli): o adolescente desinveste dos pais interiorizados e assume, gradualmente, a sua escolha de um amor heterossexual ou do seu equivalente. «Manifestar-se-á quer sob a forma duma associação harmoniosa entre o amor, a ternura e a sexualidade quer sob a forma de tentativas repetitivas, em que amor e sexualidade estão separados. Ela também pode revelar-se francamente insatisfatória, evocando uma atitude iniciática, “experimental”, de tentativas e erros» (Braconnier & Marcelli, 2000, p. 52). No plano relacional, o adolescente apresenta, ainda, alguma labilidade emocional e usa o seu ideal do ego, escudando-se numa grandeza narcísica que esconde as suas dificuldades, lhe suporta a auto-estima, estimula nas suas descobertas e o lança na aventura da construção de um projecto pessoal. Quando à fascinação do sentimento de estar separado se sucede à confirmação das suas competências através das suas realizações, confirma-se e reforça-se o seu narcisismo e abre-se o caminho para uma inserção progressiva e bem sucedida. Os adolescentes, nesta fase, conseguem articular mais harmoniosamente a fantasia, a criatividade e a realização. O adolescente passa a expressar as suas teorias e parece ter grande prazer nessa competência retórica, onde se permite salientar incoerências estabelecidas num jogo de provocações e de transgressões. O adolescente, ao dar um sentido à sua sexualidade e ao encontrar uma modalidade funcional e simbólica para o conseguir, abre-se à descoberta, como houvera feito a criança após perceber a coisa sexual e depois de ter percebido a lógica dos interditos, ao lançar-se numa descoberta do seu meio e da sua lógica estrutural e funcional. 

4. Fim da adolescência: coincide com um novo patamar de estabilidade ponderal. Verifica-se que o jovem intensifica os seus movimentos de integração social e mostra uma maior capacidade de previsão. Elabora «a sua identidade do Eu através de tarefas dessexualizadas, do amor e da sublimação» (Dias & Vicente, 1984, p. 39). Os jovens revelam maior constância emocional e uma estabilização da auto-estima que se manifesta através duma maior confiança em si. Este é um «momento de consolidação da representação de si próprio enquanto sujeito. Trata-se da fase da formação do carácter. O adolescente estabelece pouco a pouco as suas escolhas pessoais, profissionais, de amigos e amorosas» (Braconnier & Marcelli, 2000, p. 52). A tarefa essencial do final da adolescência é a constituição de um ego unificado que funde no seu exercício os “retardamentos parciais” (Blos, 1985) numa genitalidade conseguida e que se manifesta num investimento criativo no trabalho, no amor e na ideologia. 

5.Pós-adolescência: situa-se entre a adolescência e o estado adulto (Blos, 1985, 1996; Braconnier & Marcelli, 2000). A tarefa principal é a «harmonização das partes componentes da personalidade» (Blos, 1985, p. 151), existindo a necessidade de manter um equilíbrio entre os aspectos narcísicos e os investimentos objectais porque, embora o sujeito tenha uma participação crescente no mundo adulto, «ainda se encontra ligado ao mundo da infância por um certo número de aspectos» (Braconnier & Marcelli, 2000, p. 52). 

Peeters (1997, pp. 16-17), por seu lado, suporta-se no modelo de Coleman e defende três períodos desenvolvimentais estabelecendo idades para a sua realização: 

1. A primeira etapa acontece por volta dos 12 aos 14 anos e consiste num tempo de transformações corporais e de emergência da sexualidade. As suas tarefas primordiais são a confirmação sexual e o estabelecimento de relações heterossexuais.

2. A segunda etapa acontece por volta dos 14-17 anos e consiste no tempo grupal por excelência. Os adolescentes orientam-se e envolvem-se com os seus pares com os quais ensaiam, partilham e rivalizam. «Eles formam novos grupos de amigos e são essencialmente confrontados com conflitos de rivalidade, de popularidade e de competição» (idem, p. 17).

3. A terceira etapa ocorre a partir dos 17 anos e revela um refrear no entusiasmo grupal. Este parece ter cumprido em parte as suas funções integrativas e parece haver uma tomada de distância face aos pares. Os adolescentes revelam-se mais autónomos e independentes e investidos em si próprios e nas suas realizações.

O processo desenvolvimental adolescente parece, então, conter três tempos, um de emergência da pulsionalidade (libidinal e agressiva) que expõe o jovem à estranheza dos seus e de si próprio; um segundo tempo, de investimento massivo nos grupos que suportam e partilham as dificuldades dos seus membros, onde predominam as questões de afirmação e confirmação narcísica; um terceiro tempo de abertura do jovem à expressão e à realização social e íntima. 

Gutton (1991, 1997) divide o processo adolescencial em dois momentos pressionantes para os adolescentes, o pubertário e o adolescens. A primeira etapa decorre entre os 12 e os 15 anos e a outra segue-se-lhe até por volta dos 18 anos: 

1. A fase do pubertário exige mudança, envolve risco e consiste, sobretudo, no remanejamento e orientação da pulsão sexual que não é já susceptível de ser diferida e que, pelos aspectos colocados em questão, pode ser vista como uma ameaça pubertária. Esta decorre do caos provocado pelos aspectos genitais originais, «interpretados nas cenas pubertárias incestuosas e parricidas, retomados das cenas primitivas», o que torna o incesto possível e, por isso, tão ameaçador (Gutton, 1997, p. 11‐24). O pubertário reactualiza a história infantil e os seus investimentos pulsionais amorosos e agressivos, neste tempo onde a pulsão encontrou o seu m mas não encontrou ainda os seus objectos. «A sua táctica exige uma arte verdadeira para negociar a passagem de objectos inadequados em razão do interdito do incesto, traindo o m pulsional, para objectos cujo potencial de adequação é melhor» (idem, p. 11-24). A busca duma solução objectal torna-se um imperativo para ultrapassar a ambivalência regressiva/expansiva dos pubertários. 

2. A fase do adolescens estabelece com o meio um compromisso ideológico de identificação e envolvimento. «O objecto cultural efectua uma pressão para se instalar no lugar do objecto parental de transfert (a cultura tem horror ao vazio) e aí constituir a pedra de toque (le roc) da ideologia» (idem, p. 11-24). O autor resume «o adolescens como o conjunto processual pelo qual se negoceiam as ameaças sexuais pubertárias e culturais de forma privilegiada na condição de reconhecer as suas significações enigmáticas» (idem, p. 26). A emergência ideológica participa e torna possível o enlace e a significação do mundo envolvente e do próprio adolescente através da implantação da estrutura superegóica e do ideal do eu dos jovens. 

Em nosso entender, as questões da afirmação e confirmação sexual são centrais no desenvolvimento adolescencial e a trama do enlace exige um tempo pessoal, necessário e intransponível, para o adolescente repensar sua rede relacional e fantasmática. A descrição teórica das fases da adolescência mostra-nos que existem tarefas resolutivas diferentes e sucessivas que, embora difiram nas suas abordagens, descrevem uma fase inicial, indissociável da emergência pubertária, seguida de uma fase de intenso vivido grupal, acompanhado dum desinvestimento objectal das figuras parentais e da construção dum projecto mais próximo e consentâneo com o mundo dos adultos. Por outro lado, as mudanças corporais e sexuais implicam um trabalho psíquico, uma elaboração e integração de um corpo novo e estranho, agora associado a uma nova competência sexual, capaz de reprodução (biologicamente madura) mas incapaz de estabelecer enlaces relacionais, isto é, incapaz de criar os caminhos relacionais para a realização do desejo emergente com o outro. Só um envolvimento participado concorre para a construção duma identidade que diferencie o adolescente de todos os demais, o faça sentir-se bem (Rangell, 1994) consigo mesmo e reconhecido pelos seus grupos significativos. 

Em nosso entender, consideramos existirem três grandes fases de desenvolvimento na adolescência com tarefas e questões que importa explicitar: 

1. A primeira fase inicia‐se com as primeiras transformações pubertárias que revelam um corpo adolescente em transformação muito rápida. Impera, nesta etapa uma dispersão mental (Bion, 1966, 1987a; 1991b) decorrente do seu corpo novo e também da sua nova capacidade de pensar e questionar. Estas mudanças parecem empurrar o adolescente para os seus iguais num movimento que, em nosso entender, apresenta duas facetas: a descoberta de significação para muitas das suas emergências pulsionais e a construção dum destino relacional a ser dado às mesmas e, uma outra, que procura junto dos seus pares uma completude, ameaçada pelas transformações em curso. Os pares assumem-se, então, como continentes para os conteúdos mais dispersos e perturbadores para os adolescentes. Nesta fase, estes ensaiam novas modalidades funcionais para lidarem com o mundo envolvente, com a família e, não menos importante, com o seu mundo fantasmático que marca muitos dos seus movimentos expansivos e defensivos. 

2. A segunda fase é, marcadamente, o tempo adolescencial por excelência. O grupo impera e o adolescente faz nele uma imersão. Vive e respira o grupo, completa-se nele e, muitas vezes, manifesta-se incompleto sem a sua presença. O grupo e as suas dinâmicas funcionais têm sobre os seus membros um ascendente que pode influenciar, decisivamente, alguns dos seus percursos relacionais ao longo da adolescência, facilitando ou dificultando a sua integração social. Esta etapa de vivência colectiva prepara os jovens para lidarem com os contextos 

sociais adultos, ajudando-os a perceber, paradoxalmente, os limites entre o individual e o colectivo. Os grupos são, pois, verdadeiros objectos intermediários que assumem aqui um ascendente que se irá diluir, lentamente, quando os adolescentes se sentirem mais capazes de serem íntimos e, por isso, de investirem, progressivamente, no mundo social em que se inserem. 

3. A terceira fase revela-nos adolescentes a iniciar o seu investimento numa relação íntima. Este revela uma maior confirmação sexual e relacional. Os jovens começam, também, a preocupar-se e a investir nos seus projectos pessoais e profissionais, tornando-se mais disponíveis para se envolverem em projectos e realizações sociais. Esta fase apresenta semelhanças com a fase edipiana que, uma vez resolvida, liberta a criança para um investimento sublimado nas actividades escolares. O que as diferencia é, no entanto, uma competência nova para ser íntimo. 

No entanto, o adolescente pode ficar retido numa qualquer destas fases e o risco efectivo é que tal pode inviabilizar o movimento progressivo que se espera ser a adolescência e, ainda, tornar-se um factor de risco desenvolvimental que o impede de resolver satisfatoriamente esta fase, mais ou menos atribulada. 

Realçamos, ainda, que a família, pela sua atitude face ao adolescente e à sua adolescência, tem um papel importante numa resolução satisfatória desta fase, podendo facilitar o desenvolvimento, criando limites claros de interdição e permissão ou, ao invés, enredando o adolescente nas problemáticas relacionais familiares, não permitindo os seus movimentos de autonomização ou mesmo acusando-o sempre que ele os esboça. 

Por isso, abordaremos o processo adolescente a partir de dois eixos resolutivos (o interno e o externo) no ponto seguinte. 

Da teoria à métrica: revisitando os dados 

A métrica mostra-nos que podemos, com algum cuidado e rigor, organizar instrumentos que nos indiquem como é que os adolescentes se organizam, pensam e/ou sentem o seu dia-a-dia e, dessa forma, perceber aspectos que eles referem e que, na clínica, são também aspectos preponderantes para o adolescente. 

Na nossa investigação destacámos três dimensões de risco desenvolvimental a partir da nossa prática diária com os adolescentes e que parecem ter um papel fundamental para a compreensão do processo adolescente. 

“A Aventura e Risco” é uma das dimensões de risco por nós trabalhada que nos mostra como a perturbação da relação familiar pode levar o adolescente à desqualificação, à zanga e à provocação (Os adultos só dizem coisas desactualizadas; Sinto que, quando me zango em casa, me apetece mais correr riscos; O meu grupo gosta muito de fazer coisas que provoquem os adultos), aos actings outs (É no grupo que eu satisfaço muitas “loucuras” que eu imagino; No meu grupo gostamos de fazer coisas arriscadas; Quando estou muito preocupado não gosto de pensar e quero logo divertir-me). 

A dimensão Predominância Narcísica mostra-nos aspectos ligados à desconfiança no grupo (Se estou desconfiado, sinto-me muito mal no grupo), ao desatino e à vulnerabilidade (Quando me sinto atingido, desatino logo), à desilusão e a vingança (Quando me desiludo, procuro logo vingar-me), à intolerância à espera e à raiva (Quando desejo alguma coisa e não me fazem a vontade, fico com muita raiva) e à exigência desmesurada com o outro (Sou muito exigente com os outros quando desejo uma coisa). 

                                      Tabela 1 – Dimensão Predominância Narcísica 

 

A dimensão Rejeição de Regras mostra-nos como os adolescentes podem ter dificuldades em aceitar regras – aspectos que foram retirados na construção do questionário por não revelarem consistência. Esta rejeição envolve aspectos pessoais como o sentimento de imposição ou de opressão (Sinto que os outros me querem impor regras; A imposição de regras revolta-me; Quando não sou eu a fazer as regras, sinto que me estão a oprimir), familiares, relacionados com a função executiva parental (Sinto que, se não for duro, a minha família leva sempre a melhor) e grupais (No meu grupo não cumprimos regras; Quando as situações no grupo são desfavoráveis, tento impor as regras que me são favoráveis; Não gosto dos outros grupos, porque eles têm regras diferentes das do meu grupo), sejam de afirmação, submissão ou dificuldade para lidar com o diferente. 

                                                Tabela 2 – Dimensão Rejeição de Regras 

 

A consistência do questionário revela-se pelos valores de alfa de Cronbach e a sua instrumentalidade descriminativa pode verificar-se pelos testes de diferenças que nos permitem entender como a idade e o sexo são fundamentais para perspectivar o desenvolvimento dos adolescentes e balizar margens desenvolvimentais e expectativas acerca desta fase da vida. 

Verificamos que existem diferenças em função da idade, quer na aventura e risco quer na predominância narcísica quer na rejeição de regras. Os adolescentes de 12-14 anos e os de 15-16 anos têm significativamente mais comportamentos desta natureza que os de 17-18 anos. 

 

      Tabela 3 – Teste Anova para a Aventura e Risco, Predominância Narcísica e Rejeição de Regras 

Relativamente ao sexo, verificamos que os rapazes apresentam mais comportamentos de aventura e risco e de rejeição de regras que as raparigas, deixando-nos também a interrogação acerca das maiores dificuldades dos rapazes para lidarem interna e externamente com a sua integração pessoal e social. 

Tabela 4 – Teste de Médias e Desvios Padrões entre o sexo e a Aventura e Risco, Predominância Narcísica e Rejeição de Regras 

95% Confidence Interval of the Diference 

Tabela 5 – Teste Pos Hoc entre o sexo e a Aventura e Risco, Predominância Narcísica e Rejeição de Regras 

 

Da métrica à clínica 

Os resultados métricos parecem indicar-nos trilhos de actuação que têm como base o mundo interno dos desejos e medos dos adolescentes bem como os seus comportamentos nos grupos (familiar e de pares). 

Os aspectos relacionados com a reactividade adolescente, por um lado, e a sua necessária abertura ao mundo e à aventura, por outro, parecem confirmar adolescentes em risco potencial face à ameaça da qual se defendem ora agindo ora desafiando os outros e até os seus próprios limites do Eu. Mostram-se ciosos de confirmação das suas habilidades e competências e lutam contra as suas inabilidadades através da negação da vulnerabilidade e/ou desafio e da blindagem ao vivido do diferente. 

O trabalho aturado desta fragilidade pessoal e/ou vincular pode permitir aos jovens retornar ao trilho desenvolvimental onde a saúde mental possa manter-se e os aspectos patogénicos das relações anteriores possa ser transformado pelo enlace crescente na realidade envolvente que o confirme como relatava um jovem adulto: 

Sabe fui pensar naquela coisa de não me envolver no trabalho por não querer confrontar as ideias “perfeitas” que z de mim e isso é mesmo assim. Esta semana aventurei-me e depois percebi que afinal era capaz e isso deixou-me mais seguro, é engraçado porque me senti mais liberto, vamos ver... 

Promover a capacidade crescente do adolescente para se envolver intimamente com o mundo é uma finalidade em aberto na clínica. Esta possibilitará um enlace mais realista e menos defensivo, ou seja, onde a desqualificação, a zanga, a provocação e os actings outs se possam transformar em pensamento e em capacidade crescente para se envolver, aceitando mesmo poder falhar. A Aventura e Risco tornar-se-á então um crescente vivido de experiências que participam na construção da pertença social e duma crescente capacidade de intervir e transformar o mundo envolvente. 

O trabalho aturado da Predominância Narcísica nomeadamente a desconfiança no grupo, o desatino e a vulnerabilidade, a desilusão e a vingança, a intolerância à espera e a raiva, a exigência desmesurada com o outro permite-nos perceber como podem esconder a fragilidade e o desalinho que apelam à sua contenção e transformação progressiva. 

A Rejeição de Regras parece apelar à transformação do medo de serem abalroados ou mesmo aniquilados pelo outro, através da imposição ou da opressão familiar, nomeadamente nos aspectos relacionados com a função executiva parental ou mesmo com os vividos grupais, nomeadamente, os de submissão ou dificuldade para lidar com o diferente. Estes aspectos parecem revelar dificuldades ao nível do processo autonómico ou mesmo ao nível dos limites do Eu, servindo a submissão como garantia dum limite do Eu realizado pelo próprio grupo que desvela a dependência muitas vezes negada por uma aparente independência e ousadia nos desafios e riscos exibidos. 

Conclusões 

Pensar a partir da métrica possibilita entender as dificuldades do adolescente em consulta, tendo por base comportamentos comuns dos seus pares de idade e sexo. Isto permite, por seu lado, organizar uma paleta de intervenções, aplicadas, idiossincraticamente no caso a caso e, em consequência, ajudar o adolescente a pensar e transformar (Bion, 2004; Dias, 2010) estes aspetos relacionados com as suas vulnerabilidades, com os seus medos de invasão/intrusão e os seus actings, possibilitando-lhe refazer limites do Eu, tornar-se mais tolerante e aberto ao diferente e mais capaz de se envolver no mundo e de ser intimo. 

 

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Notas de Rodapé1 – Professor Coordenador na ESEnfC, Psicólogo Clínico e Psicoterapeuta, Membro Fundador da APPPP. 

Notas Finais

I – Ledoux (1997), num estudo epidemiológico, revela que a puberdade aumenta o desconforto com a imagem corporal. «56,4% dos adolescentes querem mudar de peso, a maior parte querem perder (42,3% do conjunto da amostra). Este desejo é muito mais pronunciado nas raparigas do que nos rapazes (68,7% contra 43,6% querem mudar de peso). (...) O autor conclui que a fase pubertária e as modificações estato-ponderais que a acompanham marcam o princípio das preocupações ponderais e corporais muito pronunciadas sobretudo nas raparigas» que desejam em maior número emagrecer (Ledoux, 1997, p. 259). II – Segundo o autor, estes distúrbios identitários diferem das perturbações borderline, uma vez que estas são mais estáveis e não têm o carácter transitório que as primeiras apresentam. III – cf. Berziganian et al., citado por Ladame, 1998, p. 153.
IV – Os lutos serão discutidos mais pormenorizadamente nas pp. 94-98. 

Title

Developmental risk factors in adolescence: from metric to clinic. 

Abstract 

Adolescence, as a transition process, involves risks and exposes adolescents to situations that call for a work of listening and transformation. In the present article we propose to revisit metric data of a study with adolescents (Pinto, 2006), starting from them to analyse what the contents expressed by the adolescent about developmental risk. e results allow organising a palette of interventions that on a case-by-case basis can help adolescents to think and transform their vulnerabilities, their fears of invasion. 

Keywords

Adolescence • Psychoanalysis • Adolescent transformations • Risk behaviour.