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XV Encontro AP - Controlo, Triunfo e Desprezo: A erosão do humano

Caros colegas, amigos e pensadores da Psicanálise,

 

Vimos convidar-vos para o nosso Encontro anual, desta vez com o tema Controlo, Triunfo e Desprezo: A erosão do humano, que acontecerá nos dias 17 e 18 de abril de 2026. Poderá fazer a sua inscrição no link abaixo.

 

PROGRAMA

FICHA de INSCRIÇÃO

Nas ciências humanas em geral e na Psicanálise em particular, o tempo é sempre um fator de e para o pensamento. Nestes tempos que vivemos, tempos de controlo, triunfo e desprezo, o tempo esfuma-se, encolhe-se e desaparece transformando-se num “tempo nenhum” que também não parece passar. Se a psicanálise é a tentativa de agarrar Kairos, tal torna-se mais difícil quando o seu irmão Cronos nos falha a ponto de percecionarmos a passagem do tempo como se estivéssemos a viver um “glitch” constante e mecânico.

Se é especialidade da psicanálise encontrar o momento oportuno, é agora que nos parece oportuno dialogar com os vários atores sociais articulando o discurso psicanalítico com as suas outras falas. Refletindo sobre o ar dos tempos que nos enche os consultórios, mas que está, agora, em todo o lado.

Sendo verdade que o tempo psicanalítico resiste, desde a sua génese, aos tempos sociais, é também verdade que a Psicanálise, estando arredada, não se esconde ou foge desses tempos. Muito pelo contrário, dá-se tempo para os pensar, esse luxo imenso nos tempos que correm desenfreados, selvagens e ansiogénicos.

Conceptualizando o que é este tempo psicanalítico, deixamos aqui um excerto de um livro de Carlos Amaral Dias. Se bem que escrito nos idos de 1999, principalmente por ter sido escrito nessa data, esse sítio em que poucos imaginavam o século XXI, mas em que os psicanalistas já tinham algo a dizer sobre o século que aí vinha.

“No fim do século XX assistimos à queda do muro de Berlim, ou seja, à queda da utopia gorda. E, paralelamente, assistimos ao ressurgir do fanatismo e do racismo. Nós, os psicanalistas, podemos perceber que este retorno acontece como lugar limite da negação do desamparo, é a negação da diferença radical. Observa-se que a produção cultural predominante do fim do século é a produção do phalus como limite da negação do desamparo. É por isto que se assiste ao retorno do racismo e ao retorno do fanatismo.

O problema é que a queda da utopia repõe a questão do desamparo originário. Perante a questão do desamparo surgem aqueles a que chamo, os traficantes da perversão, os traficantes do pensamento perverso que operam um desmentido da diferença afirmando assim a indemnidade. O mundo contemporâneo está cheio de traficantes da perversão. Os psicanalistas têm muita coisa a dizer sobre isso. A grande perversão contemporânea é o lugar do desmentido da diferença, do desamparo e da dor.”

Carlos Amaral Dias, In “O negativo ou o Retorno a Freud”, 1999, pp.42

 

A Comissão Organizadora do XV Encontro da AP

António Pires, Conceição Almeida, Cristina Peres, Filipa Filipe, Gabriela Alonso, Isabel Mesquita, Joana Henriques Calado, Manuel Romão, Maria Joana Santos, Mário Horta