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O que é a Psicoterapia Psicanalítica

Freud definiu a psicanálise como “qualquer método terapêutico que reconheça a importância da resistência inconsciente, da transferência e das raízes genéticas infantis da neurose”.
As mais amplas e variadas aplicações da psicanálise ao tratamento de outras alterações psicopatológicas,  a introdução de outras teorias psicanalíticas, as diversas intenções de modificar o setting terapêutico, fizeram com que seja cada vez menos restrita a distinção entre psicanálise e psicoterapia psicanalítica.

Nestas últimas décadas, em todo o mundo, a psicoterapia psicanalítica teve um grande incremento dado que a compreensão analítica de certas patologias que, anteriormente, foram consideradas fora do âmbito do campo de acção terapêutica da psicanálise , veio a mostrar-se útil.
Tal como na formação psicanalítica, a formação em psicoterapia psicanalítica assenta nos três pilares da formação. Privilegiando a evolução interna indispensável a quem pratica a psicanálise e a psicoterapia com fins terapêuticos, a AP considera que é indispensável que a formação assente nas formações teórica e clínica e no processo psicanalítico pessoal, de modo a poder transmitir a cada  associado em formação, através dos conhecimentos teóricos e clínicos, um saber-fazer prático e, acima de tudo, um “saber ser”.
É nesta exigência que se inserem os três pilares que devem presidir a qualquer formação psicanalítica, quer ela seja na psicanálise quer na psicoterapia psicanalítica:

  • Psicanálise ou Psicoterapia pessoal (processo psicanalítico pessoal didáctico)
  • Formação teórica e técnica
  • Supervisão de casos clínicos em seguimento psicanalítico ou psicoterapêutico.

Em permanente ligação entre si, eles vão permitir dar uma estrutura sólida e coerente à formação:
 
- O processo psicanalítico pessoal permite uma descoberta sobre o universo psíquico próprio de cada pessoa no contexto da relação com um terapeuta;

- A formação teórica permite aceder ao conhecimento da nosografia psicanalítica, da metapsicologia, da teoria da técnica psicanalítica e da teoria do funcionamento psíquico;

- A supervisão transmite, não apenas uma técnica, mas a “alma da técnica” para além da técnica.
Sendo a psicanálise, simultaneamente, uma teoria sobre o funcionamento psíquico, uma teoria sobre a psicopatologia e um modelo de intervenção terapêutica, a AP tem presente que o processo que permite adquirir a formação que possibilita que o psicanalista ou o psicoterapeuta possa utilizar uma compreensão psicanalítica com os seus pacientes, é um processo de aprendizagem complexo e trabalhoso. Por isso,  Freud deu tanta importância, logo que iniciou a construção da teoria psicanalítica, à formação, tendo, nos vários textos que escreveu, entre 1904 e 1910,  relevado a técnica psicanalítica, deslocando a tónica da descrição do método e dos fins da psicanálise para a exigência nas qualidades e nas competências que o psicanalista tem de ter para se poder tornar no instrumento adequado do método analítico com as suas indicações precisas.

Uma das razões que torna esta abordagem analítica de tão complexa aquisição, deve-se ao facto de haver um permanente diálogo entre o método, que guia a situação psicanalítica, e o processo psicanalítico, guiado, por sua vez, pela construção teórica. Ou seja, a situação psicanalítica gerada pelo dispositivo próprio da sessão de psicanálise (setting) e pela regra fundamental da psicanálise alicerça o processo psicanalítico que, por sua vez, faz avançar a situação psicanalítica. Mas, cada variação na situação pessoal do paciente, no processo analítico ou no setting, são susceptíveis de fazerem variar a natureza da experiência do inconsciente do paciente, para a qual o terapeuta tem de adequar a sua compreensão psicanalítica. Esta compreensão vai convocar, no terapeuta, um saber fazer e um saber ser que possa responder, permanentemente, à tensão gerada entre a exigência metodológica e a construção da teoria, tensão inerente ao bom exercício da prática psicanalítica e à correcta aplicação da teorização psicanalítica

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